Só para não deixar isso aqui novamente parado por muito tempo, uma coisa de dois anos atrás.
Êxtase
17/05/07
Exausta e satisfeita, ela desabou para o lado e fechou os olhos. Acompanhei sua respiração ofegante acalmar, até tornar-se uma leve e constante aragem, indicando que sua consciência não mais pertencia a este mundo. A minha, entretanto, permaneceu, incapaz de se desprender de tudo o que acontecera para entregar-se ao tenro embalo do sono.
Sob a pálida luz da lua cheia que penetrava no quarto pela fresta da cortina, espalhando-se leitosa nas paredes e objetos tão familiares, pus-me a observá-la com atenção. O fino lençol cobrindo seu corpo pouco escondia a exuberância da qual eu há pouco desfrutara. Mas foi no seu rosto que me detive demoradamente. A perfeição das formas era salientada pela serena expressão em sua face, no doce repouso que a dominava.
Olhando para ela, senti um aperto no fundo da garganta, comprimindo meu peito, uma ânsia devoradora daquele monstro furtivo que conhecemos como paixão. A beleza que dela emanava era superior a qualquer outra que eu pudera conceber em toda minha vida, e para ninguém mais ela era tão imponente quanto para meus olhos embriagados pelo sentimento. A satisfação por estar ali, o desejo de estar ao seu lado, a vontade desesperada de que aquela noite fosse eterna, não tinha paralelo dentre todas as tênues emoções que já haviam possuído meu coração. Todas agora obliteradas por um instante fugaz e avassalador de êxtase, de beleza, de paz.
Dali a pouco tempo tudo estaria acabado. Uma ilusão seria desfeita e um coração despedaçado. Mas gravei aquele momento como a lembrança dela que eu desejaria manter. A de uma deusa adormecida nos braços de um mero mortal que, se não teve a bênção de merecer seu amor, pôde, por um breve instante, sentir o sublime sabor da perfeição, para jamais se contentar novamente com as coisas mundanas.
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Resenhas do dia - filmes em cartaz
X-Men Origens: Wolverine (filme - 2009)
Ver uma adaptação, remake ou sequência de filme envolvendo um personagem querido sempre é uma faca de dois gumes para o espectador. Por um lado, está o anseio por ver o personagem em ação novamente, até mesmo quando histórias já conhecidas são recontadas. Por outro, está a possível decepção de ver distorções exageradas, tanto na personalidade quanto história. A segunda opção com certeza é a mais comum, já que as convenções hollywoodianas são capazes de transformar até os melhores personagens em caricaturas genéricas.
Em alguns casos, entretanto, o resultado é positivo. A obra sai muito boa, mesmo com as modificações. "Watchman" é um exemplo recente.
Em outros, o resultado é muito acima do esperado, merecendo entrar para o rol dos filmes fodásticos. "Senhor dos anéis" cabe perfeitamente aqui.
E, em vários, o resultado é simplesmente um saco de merda. E eis que chegamos a "Wolverine".
Não me levem a mal. Eu sempre vou com a maior boa vontade ver os filmes dos meus personagens preferidos, mesmo sabendo que o resultado pode não ser muito bom. Eu achei bom o último "Indiana Jones". Adorei "O exterminador do futuro III". Consegui até ver graça em "Alien x Predador"!
Quanto às adaptações de quadrinhos, tenho a visão do fã, mas também a racionalidade do espectador casual. Me decepcionei com a série do "Homem aranha" (que porra de Venom é aquela??), mas ainda consegui curtir na boa. Gostei bastante de "X-Men", o segundo filme é realmente bom. E não se pode dizer que não houve muitas modificações nessas últimas adaptações. Mas são filmes que possuem uma certa sustentação própria, como obra cinematográfica independente.
Porém, com "Wolverine", fica difícil. E olha que fui com a maior empolgação. Vamos por partes.
Primeiro, os personagens, algo mais do que essencial em uma adaptação que lida com aqueles desenvolvidos ao longo de grandes histórias e com um baita background. Não se espera nunca que eles sejam os mesmos no filme, é claro. Mas se espera um mínimo de respeito com a obra original. O Wolverine dos quadrinhos é amado exatamente por ser um anti-herói. Ninguém gosta do Ciclope porque ele é cuzão, todo mundo quer ver Wolvie dando uns pegas de verdade na Jean Grey. Na série cinematográfica dos X-Men, é claro que não tivemos o mesmo Logan, mas ainda se percebia o personagem original lá, com sua personalidade, sua natureza animal, seus conflitos, etc. Então era possível ignorar a relativa "suavidade" e curtir.
Porém, naquele estágio da história, já temos, até nos quadrinhos, um Logan "humanizado". Quem vai ver um filme sobre a sua origem, espera pelo menos ver em algum momento o Logan animal, selvagem, amoral. E digo a vocês: ele não aparece por um segundo que seja. Sério, nenhum. Nada mais do que um cara puto, em alguns momentos, por motivos onde qualquer um ficaria assim. Não há arrogância, não há sarcasmo, não há nenhum "anti-heroísmo". Só heroísmo esculachado e barato, digno de Sessão da Tarde. Nada disso é culpa de Hugh Jackman, que encarnou Wolverine de modo excelente nos filmes anteriores (um pouco menos no terceiro). Mas a história nem dá oportunidade para o coitado dar alguma vida ao personagem.
Quanto aos outros personagens, caricatos e superficiais. Bem, personagens de quadrinhos muitas vezes são assim, certo? Mas alguns se tornam favoritos por algum motivo, e esses motivos não estão lá (de um modo semelhante à gostosura da Vampira, nos filmes). Gambit surge para decepcionar aqueles que ansiavam por sua inclusão na série. Não que ele esteja muito ruim, mas sua participação é tão reduzida que mal dá para avaliar. Ciclope aparece não sei por que. Se eles queriam atenuar a imagem ridícula que ele teve na série, não conseguiram. Dentes-de-sabre é o melhor, mas o roteiro se encarrega com êxito de piorá-lo.
Uma rápida passada pela parte acéfala, antes do pior. Os efeitos especiais são usados de modo excessivo, e vacilam em alguns momentos (as garras de Logan mudam de tamanho o tempo todo e nunca convencem em sua conexão com o corpo). As cenas de ação são geralmente forçadas. Todos adoramos nossos heróis fazendo coisas malucas e impossíveis, certo? Claro, quando sabemos porque aquilo está acontecendo, e quando ainda sobra um mínimo de sentido na história. Não explosões de helicópteros que fazem pouco mais do que balançar os cabelos.
Então, vamos ao pior. Cada vez mais eu me surpreendo como o roteiro é uma coisa desprezada em Hollywood. Caramba, é a base de toda história, seja em filme, livro, quadrinhos, poesia ou o caralho a quatro! Bem, parece que os produtores contrataram roteiristas de filme pornô desta vez. A coisa é tão desconexa, nonsense e recheada de erros, que nada se salva. Para ser sincero, até metade do filme, eu só estava o achando bem meia boca, esperando ansiosamente algo aparecer para salvar. Mas, a partir da metade, é merda empilhada em cima de merda. Novamente nos dois lados possíveis de analisar: mudanças grotescas da história original, e insustentabilidade como história independente.
Uma coisa de fã de quadrinhos agora: considero o enlouquecimento de Logan após o implante do adamantium um dos momentos fundamentais do personagem. É quando ele perde a memória e vira o selvagem completo, vagando pelas florestas canadenses sem a menor preocupação com o mundo. No filme, é criada a expectativa para isso, mas... nada acontece. Ele sai correndo e vai tomar lição de moral de um casal de velhinhos com metade da idade dele. Sim, meu caro fã, você leu bem: WOLVERINE PÓS-IMPLANTE LEVANDO LIÇÃO DE MORAL DE VELHINHOS. Deprimente, para não falar pior. Só não tão deprimente quanto a "solução" encontrada para fazer ele perder a memória depois.
Em suma, o filme é um fracasso total. Além de não adicionar nada, consegue estragar a imagem de um personagem que era, até agora, bem adaptado de uma mídia para outra.
Antes que esse esquartejamento alcance o tamanho de duas páginas no Word, eu vou deixar uma conclusão final que poderia perfeitamente resumir tudo o que está escrito acima:
Quando a melhor parte de um filme são os créditos iniciais, é porque algo está muito errado.
NOTA: 3,0.
Alguns spoilers com observações aqui:
* A sugestão do filme é de que as espadas de Deadpool são de adamantium também (ele não as possui nos quadrinhos, não dá para confirmar). Porque uma bala de adamantium é capaz de fazer aquele estrago no Logan, e Deadpool não causa mais dano que alguém com espadas normais?
* Por sinal, é claro que qualquer tiro na cabeça causa automaticamente perda de memória. Prêmio Jóinha de Neurologia para Dr. Stryker.
* Por que diabos o Gambit intervém quando Logan está quase matando Dentes de Sabre, só para depois concordar em guiá-lo à ilha? Até agora não entendi.
* Logan tem sentidos apurados, certo? Mas como ele não conseguiu perceber que a sua mulher não estava realmente morta, já que qualquer cachorro de rua reconhece um bicho recém-morto só pelo cheiro?
* Na cena em que ele foge da base, pós-implante, ele rasga a porta de aço com garradas em forma de X. Notaram que os pedaços soltos do meio ficam misteriosamente flutuando no ar?
* Como a Marvel me deixa acontecer uma coisa dessas? Juntou-se à Wizards of the Coast e o abominável Dungeons & Dragons no Hall of Shame,
Terça-feira, 7 de Abril de 2009
Bihtyr ahlhad der es-Aqkif
Acabei de observar como quem não quer nada o marcador de visitas ali do lado e vi que o número aumentou muito desde a última vez que eu vi. Isso só pode significar duas coisas:
* As pessoas descobriram os geniais (?) textos do arquivo do Santuário e se deliciaram ocm a sabedoria de tempos idos.
* Faz realmente muito tempo que eu não dava uma olhada no blog.
Acho que o p da segunda hipótese é menor...
Enfim, parece que esse último mês se arrastou por anos. Principalmente as primeiras semanas, onde fiz a minha mais do que magistral carreira de professor. Um mês e meio na escola. Três semanas de aula. E tchau e bânção! "Mas Félix, como você pode ter corrido de medo de um bando de crianças?". Primeiro: não era crianças, eram criaturas. Temíveis, sim. Aliás, todas as crinaças são, e isso eu nunca neguei. Sabe aqueles que realmente sempre dizem que nunca gostariam de dar aula para molecada? Sim, eu sou um desses. A única diferença foi que eu tentei. Ok, quase tentei. Digamos que eu coloquei a ponta do dedo na água fria e saí correndo para vestir o roupão (que metáfora... hum... merdífera, não?).
Mas aquilo é para quem gosta de criança, para quem sempre sonhou em ser professor de escolinha, para quem tem muita paciência ou para quem não tem outra coisa a fazer. A maioria das pessoas vão ter pelo menos a primeira qualidade. Eu não estava me encaixando em nenhuma.
Assim, agora sou oficialmente problema social! Desempregado, mas não parado, é claro. Só que fazendo coisas não-remuneradas. O plano é ir atrás de algum trampo normal e ficar de olho em consultoria. Mais cedo do que eu esperava apareceu a última, vamos ver se vai rolar. Senão, o negócio é sub-emprego mesmo só para segurar a onda até voltar à profissão-bolsista (leia-se: doutorado).
Ah, mesmo que o blog tenha estado bem parado, tenho escrito algumas coisas cerebrais sim. É só dar uma olhada nos dois últimos contos do Duelo de Escritores. E encaminhando outras coisas, mas dessa vez mais acadêmicas.
Sinceramente, eu não tenho mais escrito no blog porque eu não tenho muito o que dizer aqui.
Tipo agora. Não tenho mais nada o que dizer, então eu digo "tchau".
* As pessoas descobriram os geniais (?) textos do arquivo do Santuário e se deliciaram ocm a sabedoria de tempos idos.
* Faz realmente muito tempo que eu não dava uma olhada no blog.
Acho que o p da segunda hipótese é menor...
Enfim, parece que esse último mês se arrastou por anos. Principalmente as primeiras semanas, onde fiz a minha mais do que magistral carreira de professor. Um mês e meio na escola. Três semanas de aula. E tchau e bânção! "Mas Félix, como você pode ter corrido de medo de um bando de crianças?". Primeiro: não era crianças, eram criaturas. Temíveis, sim. Aliás, todas as crinaças são, e isso eu nunca neguei. Sabe aqueles que realmente sempre dizem que nunca gostariam de dar aula para molecada? Sim, eu sou um desses. A única diferença foi que eu tentei. Ok, quase tentei. Digamos que eu coloquei a ponta do dedo na água fria e saí correndo para vestir o roupão (que metáfora... hum... merdífera, não?).
Mas aquilo é para quem gosta de criança, para quem sempre sonhou em ser professor de escolinha, para quem tem muita paciência ou para quem não tem outra coisa a fazer. A maioria das pessoas vão ter pelo menos a primeira qualidade. Eu não estava me encaixando em nenhuma.
Assim, agora sou oficialmente problema social! Desempregado, mas não parado, é claro. Só que fazendo coisas não-remuneradas. O plano é ir atrás de algum trampo normal e ficar de olho em consultoria. Mais cedo do que eu esperava apareceu a última, vamos ver se vai rolar. Senão, o negócio é sub-emprego mesmo só para segurar a onda até voltar à profissão-bolsista (leia-se: doutorado).
Ah, mesmo que o blog tenha estado bem parado, tenho escrito algumas coisas cerebrais sim. É só dar uma olhada nos dois últimos contos do Duelo de Escritores. E encaminhando outras coisas, mas dessa vez mais acadêmicas.
Sinceramente, eu não tenho mais escrito no blog porque eu não tenho muito o que dizer aqui.
Tipo agora. Não tenho mais nada o que dizer, então eu digo "tchau".
Segunda-feira, 2 de Março de 2009
Check-up periódico
Sim, o blog virou diarinho de vez. Antes fosse diarinho, mas está mais para mensalinho. Mas tem tanta coisa passando pela minha cabeça que não é possível que não surja nada de produtivo em breve. Opa, eu já não falei algo parecido há alguns meses? Ok, esqueçam...
Fatos para ficarem registrados nos anais sujos e peludos da História:
* Tudo certo na banca. Não me chamem mais de Félix. Apenas "mestre" está bom.
* Rebolei, rebolei e saí da corda bamba. Ainda tem uma trabalheira fodida nesse mês, mas a parte mais corrida passou. Digamos que eu já vesti ao menos as calças.
* Escola: me divido entre pensar "dá para levar de boa" e "isso aqui não é vida". Quem sabe se pintar umas novas consultorias eu possa largar mão de uma atividade que, de boa, não é para mim. Senão, a caravana segue, afinal, é preciso pagar as contas. E também está muito no começo para avaliar com precisão. No mínimo vai servir para eu voltar correndo para a academia no ano que vem...
* Falando nisso: sim, o doutorado vai sair em 2010. Só falta decidir o lugar, o projeto, o orientador e passar na seleção. Ao menos os primórdios de idéia já existem. A lógica veio bater à porta do meu sonho europeu. Afinal, eu quero trabalhar com formigas, um grupo que gosto, estou familiarizado e é excelente para trabalhar princípios ecológicos. E onde tem mais formigas, na Europa ou no Brasil? não é preciso ser biólogo para saber a resposta. Então o que parece se configurar é um doutorado num curso realmente bom no Brasil (Unicamp?), que abra uma forte possibilidade de um sanduíche. Para os não-iniciados, não estou querendo ir para Campinas comer misto quente. Doutorado sanduíche é aquele que se faz um tempo no Brasil e um tempo em outro país.
* Por fim, a notícia de maior importância: pela primeira vez na minha vida eu cheguei aos 70 quilos. É, preciso urgentemente me mexer. Não que me assuste ter um IMC de 20, mas é um processo que precisa ser detido no início. Pena que não existe mais o Aikidô da UFSC. E agora? Tae-Kwon-Do? Jiu-jitsu? Corrida na Beira-Mar? Dança do Ventre?
Check-up completado.
Fatos para ficarem registrados nos anais sujos e peludos da História:
* Tudo certo na banca. Não me chamem mais de Félix. Apenas "mestre" está bom.
* Rebolei, rebolei e saí da corda bamba. Ainda tem uma trabalheira fodida nesse mês, mas a parte mais corrida passou. Digamos que eu já vesti ao menos as calças.
* Escola: me divido entre pensar "dá para levar de boa" e "isso aqui não é vida". Quem sabe se pintar umas novas consultorias eu possa largar mão de uma atividade que, de boa, não é para mim. Senão, a caravana segue, afinal, é preciso pagar as contas. E também está muito no começo para avaliar com precisão. No mínimo vai servir para eu voltar correndo para a academia no ano que vem...
* Falando nisso: sim, o doutorado vai sair em 2010. Só falta decidir o lugar, o projeto, o orientador e passar na seleção. Ao menos os primórdios de idéia já existem. A lógica veio bater à porta do meu sonho europeu. Afinal, eu quero trabalhar com formigas, um grupo que gosto, estou familiarizado e é excelente para trabalhar princípios ecológicos. E onde tem mais formigas, na Europa ou no Brasil? não é preciso ser biólogo para saber a resposta. Então o que parece se configurar é um doutorado num curso realmente bom no Brasil (Unicamp?), que abra uma forte possibilidade de um sanduíche. Para os não-iniciados, não estou querendo ir para Campinas comer misto quente. Doutorado sanduíche é aquele que se faz um tempo no Brasil e um tempo em outro país.
* Por fim, a notícia de maior importância: pela primeira vez na minha vida eu cheguei aos 70 quilos. É, preciso urgentemente me mexer. Não que me assuste ter um IMC de 20, mas é um processo que precisa ser detido no início. Pena que não existe mais o Aikidô da UFSC. E agora? Tae-Kwon-Do? Jiu-jitsu? Corrida na Beira-Mar? Dança do Ventre?
Check-up completado.
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
Rebolando pelado na corda bamba
Se você imaginou a cena descrita no título, meus pêsames.
O sonho acabou. A vida de mestrando-bolsista-teórico-filosófico chegou ao seu fim. Infelizmente não dá para passar a vida toda podendo fazer os seus horários, trabalhar o dia e a hora em que quiser. Embora haja o risco de uma vida assim levar ao grande ócio, não deixou de ser um ano produtivo. Artigos publicados, disciplinas feitas, participação em bancas, dissertação escrita, boa produção literária e, por que não incluir, uma boa dose de lazer. Só faltou atividade física no segundo semestre, o que está rendendo ao meu corpinho sexy um projeto de barriga.
Agora começa o período de ter que conciliar demandas e atividades da melhor maneira, para viver e sobreviver. Primeiramente, eu, Félix, o suposto misantropo-metaleiro-from-hell, terei o prazer de ser professor de Ciências de uma escola municipal. E com o encargo ainda mais prazeiroso de lidar com quintas séries (e sétimas e oitavas também). com pouca experiência, ainda terei que pular a primeira (e importantíssima) semana de aula para ir apresentar a dissertação em BH semana que vem. Tudo isso ainda com uma consultoria trabalhosa e enrolada para preencher os espaços vagos.
Mas em poucas semanas esse período mais tempestuoso passa e é possível que uma rotina se configure. Mas daí o perrengue será: e o ano que vem? Assinale sua opção:
A) Félix vai se empenhar e ir atrás de um grande doutorado em outro país, em um lugar que ele sonha conhecer.
B) Félix vai se enrolar e pegar um doutorado bom, mas em alguma universidade nacional, indo para algum lugar que ele não sonha tanto assim conhecer.
C) Félix vai abraçar a mediocridade e virar professor de escolinha, vivendo onde ele gosta, mas reclamando da vida e tendo como único sonho ser efetivado.
D) Félix vai ser agraciado por alguma coisa caindo dos céus em seu colo, como uma boa vaga em uma universidade particular, um emprego alternativo (testador de colchão?) ou um atropelamento com indenização vitalícea.
E) Félix vai largar tudo e virar hippie.
Garanto que tem duas opções aí que não me agradariam em nada. E não estou falando do atropelamento...
O sonho acabou. A vida de mestrando-bolsista-teórico-filosófico chegou ao seu fim. Infelizmente não dá para passar a vida toda podendo fazer os seus horários, trabalhar o dia e a hora em que quiser. Embora haja o risco de uma vida assim levar ao grande ócio, não deixou de ser um ano produtivo. Artigos publicados, disciplinas feitas, participação em bancas, dissertação escrita, boa produção literária e, por que não incluir, uma boa dose de lazer. Só faltou atividade física no segundo semestre, o que está rendendo ao meu corpinho sexy um projeto de barriga.
Agora começa o período de ter que conciliar demandas e atividades da melhor maneira, para viver e sobreviver. Primeiramente, eu, Félix, o suposto misantropo-metaleiro-from-hell, terei o prazer de ser professor de Ciências de uma escola municipal. E com o encargo ainda mais prazeiroso de lidar com quintas séries (e sétimas e oitavas também). com pouca experiência, ainda terei que pular a primeira (e importantíssima) semana de aula para ir apresentar a dissertação em BH semana que vem. Tudo isso ainda com uma consultoria trabalhosa e enrolada para preencher os espaços vagos.
Mas em poucas semanas esse período mais tempestuoso passa e é possível que uma rotina se configure. Mas daí o perrengue será: e o ano que vem? Assinale sua opção:
A) Félix vai se empenhar e ir atrás de um grande doutorado em outro país, em um lugar que ele sonha conhecer.
B) Félix vai se enrolar e pegar um doutorado bom, mas em alguma universidade nacional, indo para algum lugar que ele não sonha tanto assim conhecer.
C) Félix vai abraçar a mediocridade e virar professor de escolinha, vivendo onde ele gosta, mas reclamando da vida e tendo como único sonho ser efetivado.
D) Félix vai ser agraciado por alguma coisa caindo dos céus em seu colo, como uma boa vaga em uma universidade particular, um emprego alternativo (testador de colchão?) ou um atropelamento com indenização vitalícea.
E) Félix vai largar tudo e virar hippie.
Garanto que tem duas opções aí que não me agradariam em nada. E não estou falando do atropelamento...
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
Frase do mês
"Medir a força de um animal é difícil. Por isso usamos um aparelho chamado medidor de força. Ele mede a força de um animal".
- Barr, B., o Homem Animal, um super-herói (?) do NatGeo.
(Nem todo biólogo é inteligente. De fato, muitos não o são.)
- Barr, B., o Homem Animal, um super-herói (?) do NatGeo.
(Nem todo biólogo é inteligente. De fato, muitos não o são.)
Sábado, 3 de Janeiro de 2009
2009 A.D.
Ei, já é outro ano! Dois mil e nove. Caramba, parece ontem que o milênio estava virando (as duas vezes). "Ano dois mil era futuro há pouco tempo atrás". Já devíamos estar viajando pelo espaço e com colônias estabelecidas na Lua.
Ok, não importa. Sem grandes discussões de virada e blábláblá de renovação (pessimista ou otimista) dessa vez. Escrevo só por escrever agora. Sem muita paciência para brincar de blogueiro. Fechando uma dissertação que vai me dar o que pensar para o resto da vida. E não me preocupando nem um pouco em ser cerebral além disso. Eu já fui mais interessado em tudo...
Ah, por sinal, agora parece que é inverno no hemisfério Sul em janeiro também. Dois dias de tempo fechado, chuva e ventania. Dá vontade de perguntar para o camarada pousado no busto de Palas:
Prophet - said I - thing of evil! Tell me, will a week of sun bless again the shore?
Quoth the raven, "Nevermore".
Eita, essa vida... Continuem não esperando nada de mim no futuro próximo, se é que ainda esperavam alguma coisa. ;)
Ok, não importa. Sem grandes discussões de virada e blábláblá de renovação (pessimista ou otimista) dessa vez. Escrevo só por escrever agora. Sem muita paciência para brincar de blogueiro. Fechando uma dissertação que vai me dar o que pensar para o resto da vida. E não me preocupando nem um pouco em ser cerebral além disso. Eu já fui mais interessado em tudo...
Ah, por sinal, agora parece que é inverno no hemisfério Sul em janeiro também. Dois dias de tempo fechado, chuva e ventania. Dá vontade de perguntar para o camarada pousado no busto de Palas:
Prophet - said I - thing of evil! Tell me, will a week of sun bless again the shore?
Quoth the raven, "Nevermore".
Eita, essa vida... Continuem não esperando nada de mim no futuro próximo, se é que ainda esperavam alguma coisa. ;)
Sábado, 29 de Novembro de 2008
Flood report - versão Félix (não-cínico)
Alô, alô, Noé manda lembranças! Aparentemente o pior da catástrofe hídrica em Santa Catarina já passou e os animais sobreviventes podem recolonizar a terra devastada. Entretanto, o sol, mesmo fazendo suas aparições ocasionais, ainda não se estabeleceu de vez. O tempo segue enevoado, com chuvisco leve, mas todos os catarinas ficam de cabelo em pé ao sentir o menor respingo na nuca. A qualquer momento pode cair um novo toró. Pelo menos os rios já estão mais baixos e a terra menos enchardada, não haverá mais um fim de semana como o fatídico passado.
Ontem deu um calorão com sol entre nuvens. Teve gente reclamando e o sol ficou sentido: hoje se escondeu novamente e, neste exato momento, uma nova chuva se iniciou. Algo me diz que traduziram errado o Gênesis: Moisés não escreveu que o dilúvio teria quarenta dias, e sim quarenta meses. Paciência, pessoal, só falta mais uns trinta e seis...
Em Florianópolis houve seu quinhão de desastres, mas, como não temos grandes rios na Ilha, não foi tão ruim (porém, do jeito que está, é capaz de daqui a pouco o mar transbordar). A água foi racionada por uns dias e a energia não sumiu. Em Blumenau, a situação foi bem feia. Porém, para os não-catarinas, não achem que lá foi o maior desastre. Ela aparece mais por ser uma cidade maior e mais conhecida da mídia nacionaol. O título de "fodidos do ano" poderia muito bem ser dado para Ilhota (onde um morro inteiro, bem conhecido e - biólogos, como explicamos isso? - coberto por uma unidade de conservação foi todo abaixo) ou, mais ainda, para Itajaí. Imagine todos os desastres que ocorreram em todas as cidades do Vale do Itajaí (que inclui Blumenau, Ilhota, Rio dos Cedros, Timbó, Indaial, Pomerode, etc.). Agora imagine que toda aquela água é drenada para um rio, o Itajaí-Açú. E agora imagine quem fica na foz deste rio. Sim, Itajaí. Segundo alguns dados da imprensa, 80% da cidade chegou a ficar embaixo da água.
Houve enchentes mais longas e com maior volume de água. Neste ano, o nível do rio não chegou aos 12 metros no pior momento, e rapidamente recuou. Nas "big ones" dos anos de 1983 e 1984 o rio chegou a quase 15 metros e meio. Pense que, com os transbordamentos, se torna muito mais difícil para o rio subir após uma determinada altura. Então subir de 12 para 13 é muito mais difícil do que de 9 para 10, por exemplo. Vejam neste blog fotos impressionantes de Blumenau naquela época. Sim, foi água pra cacete.
No ano atual, choveu mais do que em qualquer outra época no estado ao longo dos últimos meses. Porém, como não era uma chuva muito forte, o rio ficou na dele. Entretanto, o problema deste ano é que, de repente, a chuva veio absurdamente forte em pouco tempo: o fim de semana passado. O que ocasionou os piores desastres: desabamentos por todos os lados. Casas foram arrastadas. Morros caíram. Rodovias de quatro pistas foram bloqueadas por barreiras monstruosas de lama e pedras. O mapa rodoviário do estado ficou parecendo um campo de guerra, com trincheiras bloqueando estradas por todos os lados. Tudo isso contribuiu para o tremendo número de humanos mortos (sem contar os animais de estimação, certo, Fábio?). Como diria uma amiga da minha mãe, os barrancos foram caindo como sorvete derretendo.
E a culpa é de quem? Diversos são os possíveis acusados. Os governos, adorados alvos de culpa em todas as ocasiões, não merecem sentar na cadeira dos réus dessa vez. Pelo contrário, as obras de infraestrutura que foram feitas a partir das grandes enchentes dos anos oitenta diminuiram muito o problema, que era crônico na região (a última enchente foi em 1992, fora enxurradas e alagamentos menores, que nunca deixaram de ocorrer). Eu vi gente se conformando de que tudo era obra de Deus. Bem, para estes nem adianta tentar culpar o chefão. O jeito é baixar a cabeça e se acostumar ao caprichos de um papai destemperado.
Tem gente dizendo que a natureza é implacável, ou está "se vingando". Sem dúvida, muitos deslizamentos foram ocasionados por falta de cobetura vegetal. E não há drenagem em solos cobertos por contreto (bueiros? ha!). Nós, macacos sem pêlo modernos, também não tínhamos nada que estar colocando cidades ao lado de um rio que naturalmente transborda. Os egípcios respeitavam o ciclo natural de cheias do Nilo e aprenderam a utilizá-lo ao seu favor. Desde seis mil anos atrás, pelo menos. As osclilações tremendas nas chuvas de um ano ao outro (2006, por exemplo, foi um dos anos mais secos, com 35% a menos de chuva que a média) podem ser resultado de nossas intervenções nos ciclos planetários, mas é difícil afirmar isso. Ainda mais sabendo-se que foi o El Niño a principal influência das enchentes passadas.
A "natureza" está na dela. As pessoas aceitaram alguns riscos e algumas estão pagando um preço por isso. Não faz muito sentido procurar culpados quando a história é um desastre natural. Só resta aos outros macacos, aqueles dos outros estados, que não se molharam, darem uma ajudinha. É só virem na próxima Oktoberfest e tomarem todas. Pois alguém duvida de que a tradicional festa será novamente propagandeada pelo caos? Sem dúvida, a Sommerbierfest (uma mini-Oktober criada em Blumenau durante a época de cidade-fantasma, no verão) será...
Ok, não é possível escapar totalmente do cinismo...
Ontem deu um calorão com sol entre nuvens. Teve gente reclamando e o sol ficou sentido: hoje se escondeu novamente e, neste exato momento, uma nova chuva se iniciou. Algo me diz que traduziram errado o Gênesis: Moisés não escreveu que o dilúvio teria quarenta dias, e sim quarenta meses. Paciência, pessoal, só falta mais uns trinta e seis...
Em Florianópolis houve seu quinhão de desastres, mas, como não temos grandes rios na Ilha, não foi tão ruim (porém, do jeito que está, é capaz de daqui a pouco o mar transbordar). A água foi racionada por uns dias e a energia não sumiu. Em Blumenau, a situação foi bem feia. Porém, para os não-catarinas, não achem que lá foi o maior desastre. Ela aparece mais por ser uma cidade maior e mais conhecida da mídia nacionaol. O título de "fodidos do ano" poderia muito bem ser dado para Ilhota (onde um morro inteiro, bem conhecido e - biólogos, como explicamos isso? - coberto por uma unidade de conservação foi todo abaixo) ou, mais ainda, para Itajaí. Imagine todos os desastres que ocorreram em todas as cidades do Vale do Itajaí (que inclui Blumenau, Ilhota, Rio dos Cedros, Timbó, Indaial, Pomerode, etc.). Agora imagine que toda aquela água é drenada para um rio, o Itajaí-Açú. E agora imagine quem fica na foz deste rio. Sim, Itajaí. Segundo alguns dados da imprensa, 80% da cidade chegou a ficar embaixo da água.
Houve enchentes mais longas e com maior volume de água. Neste ano, o nível do rio não chegou aos 12 metros no pior momento, e rapidamente recuou. Nas "big ones" dos anos de 1983 e 1984 o rio chegou a quase 15 metros e meio. Pense que, com os transbordamentos, se torna muito mais difícil para o rio subir após uma determinada altura. Então subir de 12 para 13 é muito mais difícil do que de 9 para 10, por exemplo. Vejam neste blog fotos impressionantes de Blumenau naquela época. Sim, foi água pra cacete.
No ano atual, choveu mais do que em qualquer outra época no estado ao longo dos últimos meses. Porém, como não era uma chuva muito forte, o rio ficou na dele. Entretanto, o problema deste ano é que, de repente, a chuva veio absurdamente forte em pouco tempo: o fim de semana passado. O que ocasionou os piores desastres: desabamentos por todos os lados. Casas foram arrastadas. Morros caíram. Rodovias de quatro pistas foram bloqueadas por barreiras monstruosas de lama e pedras. O mapa rodoviário do estado ficou parecendo um campo de guerra, com trincheiras bloqueando estradas por todos os lados. Tudo isso contribuiu para o tremendo número de humanos mortos (sem contar os animais de estimação, certo, Fábio?). Como diria uma amiga da minha mãe, os barrancos foram caindo como sorvete derretendo.
E a culpa é de quem? Diversos são os possíveis acusados. Os governos, adorados alvos de culpa em todas as ocasiões, não merecem sentar na cadeira dos réus dessa vez. Pelo contrário, as obras de infraestrutura que foram feitas a partir das grandes enchentes dos anos oitenta diminuiram muito o problema, que era crônico na região (a última enchente foi em 1992, fora enxurradas e alagamentos menores, que nunca deixaram de ocorrer). Eu vi gente se conformando de que tudo era obra de Deus. Bem, para estes nem adianta tentar culpar o chefão. O jeito é baixar a cabeça e se acostumar ao caprichos de um papai destemperado.
Tem gente dizendo que a natureza é implacável, ou está "se vingando". Sem dúvida, muitos deslizamentos foram ocasionados por falta de cobetura vegetal. E não há drenagem em solos cobertos por contreto (bueiros? ha!). Nós, macacos sem pêlo modernos, também não tínhamos nada que estar colocando cidades ao lado de um rio que naturalmente transborda. Os egípcios respeitavam o ciclo natural de cheias do Nilo e aprenderam a utilizá-lo ao seu favor. Desde seis mil anos atrás, pelo menos. As osclilações tremendas nas chuvas de um ano ao outro (2006, por exemplo, foi um dos anos mais secos, com 35% a menos de chuva que a média) podem ser resultado de nossas intervenções nos ciclos planetários, mas é difícil afirmar isso. Ainda mais sabendo-se que foi o El Niño a principal influência das enchentes passadas.
A "natureza" está na dela. As pessoas aceitaram alguns riscos e algumas estão pagando um preço por isso. Não faz muito sentido procurar culpados quando a história é um desastre natural. Só resta aos outros macacos, aqueles dos outros estados, que não se molharam, darem uma ajudinha. É só virem na próxima Oktoberfest e tomarem todas. Pois alguém duvida de que a tradicional festa será novamente propagandeada pelo caos? Sem dúvida, a Sommerbierfest (uma mini-Oktober criada em Blumenau durante a época de cidade-fantasma, no verão) será...
Ok, não é possível escapar totalmente do cinismo...
Sábado, 8 de Novembro de 2008
O mapa do metal
Não foi revisado, tampouco uma brincadeira tão bem explorada como poderia ser. Mas é que chegou a hora do almoço... ;)
De onde vem o metal? Para os pseudo-nacionalistas musicais, parece tudo "coisa de gringo" (no caso, se referindo aos estadunidenses). Afinal, a grande maioria canta em inglês, e tem muitos que parecem esquecer que o próprio inglês, como o nome diz, não é estadunidense. Por outro lado, eu sempre afirmei que os EUA eram muito fracos em matéria de metal e que de lá quase só vinha as "modinhas", como o Nu (ou "No") metal (com uma honrosa exceção). Para tirar a dúvida, decidi checar minha coleção para ver o que os frios e cruéis dados me mostravam.
Para isso, chequei a origem de todas as bandas de metal das quais tenho ao menos um cd. O número de cds por banda não foi considerado, então a discografia completa do Black Sabbath pesa o mesmo que aquele único cd do Anasarca que eu só ouvi uma vez (as três primeiras músicas). Foram incluídas as bandas que estão nos "limites" do metal e que alguns poderiam questionar a inclusão, como Rammstein e Motorhead. Demos (perdão, bandas de amigos!) e músicas avulsas não foram consideradas, apenas álbuns completos e EPS.
Logicamente, há grandes problemas nessa amostragem: ela reflete parcialmente meu gosto pessoal por determinados sub-gêneros e, como veremos adiante, o país de origem tem grande influência no subgênero. Mas, com eu tenho uma tendência a ir atrás de várias bandas mais comentadas apenas para conhecer, esse erro é um pouco diluído. O dia em que eu publicar na Science, me preocupo mais com isso. Digo "parcialmente" pois tenho uma grande quantidade de discos de bandas dos estilos tradicionais estadunidenses, pega de um amigo, mas que ouço muito pouco.
De um total de 377 discos, obtivemos 122 bandas, divididas entre:
1º - Estados Unidos (22 bandas)
2º - Suécia e Inglaterra (18 bandas)
4º - Noruega (17 bandas)
5º - Finlândia (11 bandas)
6º - Alemanha (10 bandas)
7º - Brasil (5 bandas)
8º - Itália (4 bandas)
9º - Dinamarca e Áustria (3 bandas)
11º - Holanda, Israel e Suíça (2 bandas)
14º - Grécia, Portugal, Austrália, Rússia (1 banda)
O que vemos é que os Estados Unidos é o país com maior número de bandas. Tal resultado não é tão surpreendente, levanto em conta o tamanho e a população dos EUA. Proporcionalmente, a Inglaterra e os países escandinavos apresentam uma concentração maior de bandas. Em matéria de continentes, a Europa domina, com 74% das bandas. Nos outros quatro continentes, apenas um país possui bandas: EUA na América do Norte, Brasil na América do Sul, Austrália na Oceania, Israel na Ásia (há a Rússia, que poderia contar para a Ásia e Europa) . Os africanos sofrem pela falta de energia elétrica para plugar as guitarras, continuando apenas com tambores.
Há uma clara concentração local de sub-gêneros. Os EUA despontam como pólo do trash (a honrosa exceção) e do "metalcore" (a modinha do momento). A Inglaterra possui muitas das bandas clássicas do heavy "propriamente dito". A Suécia é forte no death metal, particularmente a vertente melódica. A Noruega apresenta uma tendência ao black metal, também com grandes expoentes do gothic. A Finlândia apresenta diversas bandas de folk, que usam elementos da música tradicional do país. Se eu ouvisse mais metal melódico, é provável que a Alemanha estivesse melhor representada.
Eu esperava uma quantidade menor de bandas americanas, mas acabou que os EUA foram o país mais representado. Como citei antes, parte disso se refere aos discos dos sub-gêneros típicos do país (em particular o tal do "metalcore"). Por outro lado, talvez seja o país que apresenta maior diversidade de bandas, tendo representantes de vários gêneros, como death, prog, melódico e black.
O uso da língua inglesa transcende a influência atual dos EUA. Esse uso parece mais ligado ao uso dela como "língua universal". Efetivamente, muitas bandas que cantam em inglês não chegam a atingir o mercado estadunidense. Mas, afora aquelas que usam a língua nativa ocasionalmente em algumas músicas, há diversas bandas que cantam predominantemente em sua língua, particularmente da Alemanha e da Escandinávia.
Sem dúvida, o metal é um estilo dos países do hemisfério norte. É um típico fenômeno da sociedade desenvolvida ocidental. Realmente, se sabe que o único pólo significativo do metal fora do primeiro mundo é o Brasil. E, mesmo assim, as bandas nacionais são mais bem conhecidas lá fora do que no próprio país, como o Angra, o Krisium, o Sepultura e diversas outras. As explicações para isso podem ser sociais, econômicas, históricas e até biológicas (há quem cite a influência do clima frio e dos longos invernos na tendência escandinava para os sub-gêneros mais melancólicos, obscuros e extremos do metal).
De qualquer modo, o que dá para concluir é que um dos benefícios da ágil troca de informações de um mundo globalizado é ter contato com produtos culturais (de lixos a luxos) de sociedades completamente distintas da sua própria. Alguns podem condenar isso como perda de identidade cultural. Eu já penso que é um modo de assimilar diversos traços culturais em uma personalidade própria. E, felizmente, não precisar depender de pagode, axé e funk para satisfazer as necessidades musicais...
De onde vem o metal? Para os pseudo-nacionalistas musicais, parece tudo "coisa de gringo" (no caso, se referindo aos estadunidenses). Afinal, a grande maioria canta em inglês, e tem muitos que parecem esquecer que o próprio inglês, como o nome diz, não é estadunidense. Por outro lado, eu sempre afirmei que os EUA eram muito fracos em matéria de metal e que de lá quase só vinha as "modinhas", como o Nu (ou "No") metal (com uma honrosa exceção). Para tirar a dúvida, decidi checar minha coleção para ver o que os frios e cruéis dados me mostravam.
Para isso, chequei a origem de todas as bandas de metal das quais tenho ao menos um cd. O número de cds por banda não foi considerado, então a discografia completa do Black Sabbath pesa o mesmo que aquele único cd do Anasarca que eu só ouvi uma vez (as três primeiras músicas). Foram incluídas as bandas que estão nos "limites" do metal e que alguns poderiam questionar a inclusão, como Rammstein e Motorhead. Demos (perdão, bandas de amigos!) e músicas avulsas não foram consideradas, apenas álbuns completos e EPS.
Logicamente, há grandes problemas nessa amostragem: ela reflete parcialmente meu gosto pessoal por determinados sub-gêneros e, como veremos adiante, o país de origem tem grande influência no subgênero. Mas, com eu tenho uma tendência a ir atrás de várias bandas mais comentadas apenas para conhecer, esse erro é um pouco diluído. O dia em que eu publicar na Science, me preocupo mais com isso. Digo "parcialmente" pois tenho uma grande quantidade de discos de bandas dos estilos tradicionais estadunidenses, pega de um amigo, mas que ouço muito pouco.
De um total de 377 discos, obtivemos 122 bandas, divididas entre:
1º - Estados Unidos (22 bandas)
2º - Suécia e Inglaterra (18 bandas)
4º - Noruega (17 bandas)
5º - Finlândia (11 bandas)
6º - Alemanha (10 bandas)
7º - Brasil (5 bandas)
8º - Itália (4 bandas)
9º - Dinamarca e Áustria (3 bandas)
11º - Holanda, Israel e Suíça (2 bandas)
14º - Grécia, Portugal, Austrália, Rússia (1 banda)
O que vemos é que os Estados Unidos é o país com maior número de bandas. Tal resultado não é tão surpreendente, levanto em conta o tamanho e a população dos EUA. Proporcionalmente, a Inglaterra e os países escandinavos apresentam uma concentração maior de bandas. Em matéria de continentes, a Europa domina, com 74% das bandas. Nos outros quatro continentes, apenas um país possui bandas: EUA na América do Norte, Brasil na América do Sul, Austrália na Oceania, Israel na Ásia (há a Rússia, que poderia contar para a Ásia e Europa) . Os africanos sofrem pela falta de energia elétrica para plugar as guitarras, continuando apenas com tambores.
Há uma clara concentração local de sub-gêneros. Os EUA despontam como pólo do trash (a honrosa exceção) e do "metalcore" (a modinha do momento). A Inglaterra possui muitas das bandas clássicas do heavy "propriamente dito". A Suécia é forte no death metal, particularmente a vertente melódica. A Noruega apresenta uma tendência ao black metal, também com grandes expoentes do gothic. A Finlândia apresenta diversas bandas de folk, que usam elementos da música tradicional do país. Se eu ouvisse mais metal melódico, é provável que a Alemanha estivesse melhor representada.
Eu esperava uma quantidade menor de bandas americanas, mas acabou que os EUA foram o país mais representado. Como citei antes, parte disso se refere aos discos dos sub-gêneros típicos do país (em particular o tal do "metalcore"). Por outro lado, talvez seja o país que apresenta maior diversidade de bandas, tendo representantes de vários gêneros, como death, prog, melódico e black.
O uso da língua inglesa transcende a influência atual dos EUA. Esse uso parece mais ligado ao uso dela como "língua universal". Efetivamente, muitas bandas que cantam em inglês não chegam a atingir o mercado estadunidense. Mas, afora aquelas que usam a língua nativa ocasionalmente em algumas músicas, há diversas bandas que cantam predominantemente em sua língua, particularmente da Alemanha e da Escandinávia.
Sem dúvida, o metal é um estilo dos países do hemisfério norte. É um típico fenômeno da sociedade desenvolvida ocidental. Realmente, se sabe que o único pólo significativo do metal fora do primeiro mundo é o Brasil. E, mesmo assim, as bandas nacionais são mais bem conhecidas lá fora do que no próprio país, como o Angra, o Krisium, o Sepultura e diversas outras. As explicações para isso podem ser sociais, econômicas, históricas e até biológicas (há quem cite a influência do clima frio e dos longos invernos na tendência escandinava para os sub-gêneros mais melancólicos, obscuros e extremos do metal).
De qualquer modo, o que dá para concluir é que um dos benefícios da ágil troca de informações de um mundo globalizado é ter contato com produtos culturais (de lixos a luxos) de sociedades completamente distintas da sua própria. Alguns podem condenar isso como perda de identidade cultural. Eu já penso que é um modo de assimilar diversos traços culturais em uma personalidade própria. E, felizmente, não precisar depender de pagode, axé e funk para satisfazer as necessidades musicais...
Sábado, 1 de Novembro de 2008
Recomendações musicais
Sem assuntos literários para abordar, vão aí umas dicas de bandas para quem gosta de sonoridades diferenciadas.
A primeira é nacional, e não é o tipo de banda que vocês me imaginariam recomendando. Mas o Móveis Coloniais de Acajú chamou minha atenção de um modo inesperado, desde que um amigo em BH me apresentou ano passado. eu não costumo gostar muito de incursões de bandas de rock pelo mundo da MPB (não por causa da combinação, mas porque me soa pretensioso e mal-feito). Mas os Móveis, com seu samba-rock-ska-salsa-etc., parecem diferentes. Talvez porque, mesmo as músicas sendo muito bem feitas, há uma certa dose de escracho no modo como são executadas (a primeira faixa do disco - "Perca peso" - é o melhor exemplo disso). Ajuda em muito o vocal de André Gonzáles, destaque da banda. E dá-lhe corneta com guitarra, junto com letras bem-humoradas e bem escritas.
Dá para baixar as músicas do primeiro disco da banda ("Idem") no site oficial da banda. Mas, se não quiser ter o trabalho de baixar uma a uma, têm várias opções de download aqui.
A segunda dica é para quem gosta de coisas mais pesadas. não necessariamente só metaleiros, mas qualquer um que não tenha alergia a um som um pouco mais potente. Nos últimos anos, eu tenho estado em busca de sonoridades diferenciadas dentro do metal, descobrindo uma diversidade da qual não tinha nem idéia (notadamente dentro do rótulo "folk metal"). E ontem tive acesso a uma banda alemã que não faz folk, mas mesmo assim combina mais elementos em seu som do que qualquer outra banda que eu já tenha ouvido. É o Die Apokalyptischen Reiter (saúde!).
Ouvi o disco "Riders on the storm" (nada a ver com The Doors aqui) e digo a vocês, isso é bom, MUITO bom. A base do som é um metal rápido, com diversas passagens extremas, mas sem poder ser chamado de death. Há uma infinita mudança de andamentos, muitas inesperadas, outras previsíveis, mas sempre funcionando muito bem. E, música a música, novas coisas vão surgindo. Uma hora é um clima pomposo regado a violinos e um toque folk. Outra hora são cornetas desafinadas precedendo uma explosão rock-hardcore a la Motorhead. Em outra são violões acústicos quase lembrando uma bossa nova (!). A criatividade dos caras é algo incrível, um metal sem fronteiras e nunca se tornando cansativo (as faixas são curtas e acessíveis). Não vai assustar muito quem não gosta de metal extremo, pois os vocais brutais são relativamente esparsos. Por sinal, o vocalista é um puta destaque: passando por vocais limpos que lembram Rammstein, vocais roucos tipo Motorhead ou o clássico gutural extremo, o cara manda muito bem em todas as abordagens. Ajuda muito que a maioria das músicas é cantada em alemão, a melhor língua para a música pesada, junto com o inglês.
Não é uma banda especialmente fácil de achar material, mas vocês podem encontrar algumas opções de download aqui. Recomendo o "Riders on the storm" primeiro, pois também ainda não ouvi os outros... Mas o "Samurai" também é bem cotado.
Para aqueles que gostam de explorar o que há de diverso e diferenciado no mundo da música... divirtam-se!
A primeira é nacional, e não é o tipo de banda que vocês me imaginariam recomendando. Mas o Móveis Coloniais de Acajú chamou minha atenção de um modo inesperado, desde que um amigo em BH me apresentou ano passado. eu não costumo gostar muito de incursões de bandas de rock pelo mundo da MPB (não por causa da combinação, mas porque me soa pretensioso e mal-feito). Mas os Móveis, com seu samba-rock-ska-salsa-etc., parecem diferentes. Talvez porque, mesmo as músicas sendo muito bem feitas, há uma certa dose de escracho no modo como são executadas (a primeira faixa do disco - "Perca peso" - é o melhor exemplo disso). Ajuda em muito o vocal de André Gonzáles, destaque da banda. E dá-lhe corneta com guitarra, junto com letras bem-humoradas e bem escritas.
Dá para baixar as músicas do primeiro disco da banda ("Idem") no site oficial da banda. Mas, se não quiser ter o trabalho de baixar uma a uma, têm várias opções de download aqui.
A segunda dica é para quem gosta de coisas mais pesadas. não necessariamente só metaleiros, mas qualquer um que não tenha alergia a um som um pouco mais potente. Nos últimos anos, eu tenho estado em busca de sonoridades diferenciadas dentro do metal, descobrindo uma diversidade da qual não tinha nem idéia (notadamente dentro do rótulo "folk metal"). E ontem tive acesso a uma banda alemã que não faz folk, mas mesmo assim combina mais elementos em seu som do que qualquer outra banda que eu já tenha ouvido. É o Die Apokalyptischen Reiter (saúde!).
Ouvi o disco "Riders on the storm" (nada a ver com The Doors aqui) e digo a vocês, isso é bom, MUITO bom. A base do som é um metal rápido, com diversas passagens extremas, mas sem poder ser chamado de death. Há uma infinita mudança de andamentos, muitas inesperadas, outras previsíveis, mas sempre funcionando muito bem. E, música a música, novas coisas vão surgindo. Uma hora é um clima pomposo regado a violinos e um toque folk. Outra hora são cornetas desafinadas precedendo uma explosão rock-hardcore a la Motorhead. Em outra são violões acústicos quase lembrando uma bossa nova (!). A criatividade dos caras é algo incrível, um metal sem fronteiras e nunca se tornando cansativo (as faixas são curtas e acessíveis). Não vai assustar muito quem não gosta de metal extremo, pois os vocais brutais são relativamente esparsos. Por sinal, o vocalista é um puta destaque: passando por vocais limpos que lembram Rammstein, vocais roucos tipo Motorhead ou o clássico gutural extremo, o cara manda muito bem em todas as abordagens. Ajuda muito que a maioria das músicas é cantada em alemão, a melhor língua para a música pesada, junto com o inglês.
Não é uma banda especialmente fácil de achar material, mas vocês podem encontrar algumas opções de download aqui. Recomendo o "Riders on the storm" primeiro, pois também ainda não ouvi os outros... Mas o "Samurai" também é bem cotado.
Para aqueles que gostam de explorar o que há de diverso e diferenciado no mundo da música... divirtam-se!
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