sábado, 2 de fevereiro de 2008

O conto que quase foi

Este foi um texto que surgiu junto com "Conto de Fadas. Sem Fadas" para rodada sobre "Fábula Infantil" do Duelo de Escritores. Talvez eu fosse acusado novamente de dopping, mas pelo menos a droga dessa vez seria legalizada...

XV. Natal

06/01/08

Era uma vez, numa terra muito, muito distante...

No dia vinte e cinco do mês doze, um sinal cruzou os céus: uma brilhante estrela escura. Os três reis souberam que era o sinal que há tanto esperavam, em suas viagens pela vastidão isolada. Logo chegaram à manjedoura, onde o pai e a mãe se orgulhavam do milagre do nascimento: um bebê de barbas. Os reis prostraram-se em reverência e ofereceram cada um seu presente: um copo, gelo e limão.

Depois de muitos anos, o jovem de barbas brancas tomou consciência de que não era alguém normal. Ele tinha uma missão muito maior, a de divulgar a palavra da quase esquecida Grande Deusa, e salvar seu povo. Aos trinta anos, foi batizado com Líquido Sagrado e iniciou a pregação. O rumor de seus feitos se espalhou pela terra, como o Milagre da Transformação de Água em Líquido Sagrado e a Multiplicação das Latinhas. Dizia ele que a Grande Mãe era generosa com todos aqueles que a louvassem diariamente: três vezes no almoço, duas na janta. E, para os mais devotos, quatro no lanche da tarde e uma no café da manhã.

Tudo atraiu a inveja e repúdio de sociedades malignas. Finalmente, a Associação dos Dentistas e os Vigilantes do Peso convenceram o governo a prender o pregador. Sabendo que seu futuro era negro, fez a última ceia com seus discípulos, onde falou "bebei o Líquido Sagrado, pois este é meu sangue!". Foi capturado e sofreu atrozes tormentos na prisão, inclusive tendo que tomar apenas água por uma semana. Foi condenado e crucificado em público. Sepultado numa caverna, seu corpo sumiu depois de três dias.

Quando seus discípulos tremiam de medo e sentam-se inseguros no mundo, retornou triunfantemente, em fulgurantes vestes vermelhas e faces rechonchudas. Instilando fé renovada nos homens, subiu aos céus em uma carruagem de renas, com um sorriso radiante e um "ho, ho, ho!" que aqueceu aos coração de todos. E sua palavra foi divulgada por todo o mundo, e o mundo se rendeu ao encanto irresistível da Grande e Maior das Deusas. Hoje, na sua data de nascimento, todos comemoram a chegada na terra do verdadeiro Messias, e as crianças se encantam com os presentes que ele traz ao mundo.

E assim será por toda a eternidade. Pelo Papai, a Deusa e o Líquido Sagrado, amém.

2 comentários:

Flávia disse...

É, deve ter sido difícil pra você escolher qual dos dois colocaria no Duelo... Esse aqui também é muito bom!

Pulando muito Carnaval?? hehehe

Fábio Ricardo disse...

mto bom, garotinho. A coincidência de datas dá mesmo essa ligação entre um e outro.