segunda-feira, 2 de junho de 2008

Resenhas do dia - filmes em cartaz

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (filme - 2008)

Os rumores de um quarto filme da série vinham de anos, e eu sempre brincava: "vão fazer com o Harrison Ford de bengala". Afinal, o cara já não era muito novo na época dos originais (já era quarentão na época da Ultima Cruzada). Eis que o rumor toma forma e o filma aparece. Como o usual, há um misto de empolgação com cautela: sempre é bom ver nossos personagens favoritos de volta (e Indiana sempre esteve entre meus primeiros), mas será que teremos algo mais que um caça-níqueis se valendo de glórias do passado?

Bem, posso dizer que, neste caso, felizmente não. O filme evita um tom saudosista, de "grand finale", e não depende de referências a aventuras passadas para cativar o espectador. Na verdade, isso nunca aconteceu nas aventuras de Jones, elas sempre foram relativamente independentes umas das outras. Imagine tentar se basear nisso 17 anos depois do último filme... Alguns personagens retornam, há algumas referências aqui e ali, mas nada que vá deixar algum alienado que nunca viu um filme da série viajando. Tampouco abrir aquele sorriso de familiaridade nos rostos de fãs da série.

Primeiro de tudo, o que mais interessa: o personagem principal. Sim, temos quase o mesmo Dr. Jones de sempre. Harisson Ford está muito bem para sua idade. As piadas do personagem e do enredo às vezes não são tão fluidas quanto antes, mas ainda divertem bastante. O resto dos personagens faz o seu papel de sempre, caricatos e previsíveis em seus papéis. Sim, eles sempre foram assim, e não é agora que Spielberg e Lucas iriam mudar as coisas. O único destaque negativo vai para Mac, o companheiro de Jones no início do filme, que apresenta mais reviravoltas do que o aceitável.

Bem, a trama. Esta é como nos outros filmes da série: uma sequência infindável de elementos, lugares, viajens, referências mitológicas, etc. Alguém que não curte muito a coisa vai ficar perdido. Ou bocejar nos momentos em que há mais falação do que ação. Que bocejem, eu adoro tais momentos. Mesmo porque geralmente eles contêm elementos de tensão, quando os diálogos ocorrem numa cripta escura atulhada de esqueletos que a qualquer momento podem sair passeando. Os lugares são tudo aquilo que esperávamos: cavernas, criptas, florestas, templos, etc. São paisagens mais espetaculares que as dos filmes anteriores, mas hoje em dia computação gráfica demais cansa. Hoje em dia é mais fácil fazer um macaco ou roedor computadorizado do que filmar um treinado, e os filmes perdem muito com isso, na minha opinião.

Por fim, a ação. Temos novamente as cenas longas e recheadas de piadas, além dos momentos desnecessários que qualquer filme de ação / aventura contém. Nada fora do usual. Uma diferença é que a evolução dos efeitos especiais permite que os personagens façam coisas realmente absurdas, em contraste ao heroísmo mais comedido dos tempos passados. Alguns momentos são destaque negativo, como o personagem Mutt e os macacos da floresta. Você pode pensar "pai do céu, uma fria atrás da outra!" ou "ei, é uma aventura, vamos nos divertir!". Neste caso, assumi a segunda, embora me incomode um pouco com a primeira.

Um comentário extra sobre a história: ela lida com elementos já utilizados na mitologia do personagem. Quem já jogou o excelente adventure "Indiana Jones and the Fate of Atlantis" vai saber do que estou falando. Infelizmente, por ser um jogo, e não um dos filmes, Lucas e Spielberg decidiram não fazer nenhuma relação ou referência à história de "Atlantis". Por sinal, é uma das melhores do personagem, vale a pena até para quem não tem paciência jogar com uma folhinha de soluções, só para curtir a aventura.

Finalizando: não, não é nada genial. E deve ser o último mesmo. Não contém nenhuma reviravolta inesperada, nenhum final surpreendente. É apenas mais do mesmo, com um pouco menos de inspiração na parte intelectual e mais elaboração na visual. Vá sem medo, embora sem esperar muito. No mínimo, atiça muito a vontade de alugar a trilogia original e fazer uma Sessão Indiana em casa.

NOTA: 8,5.

2 comentários:

Félix B. Rosumek disse...

correção: o último filme saiu em 1989

Marina Melz disse...

a última cena pra mim vale o filme. uum final digno de um personagem que não depende de número de filmes pra ser inesquecível. PAGUEI UM PAU.