sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Novas confusões pela frente...

Os fazedores de prova de concurso deve estar dando pulos de alegria agora. Com o novo acordo internacional sobre a lingua portuguesa, uma sére de coisas significativas (e algumas nem tanto), vão mudar. Se resolveram tornar a língua mais simples e coerente? Ha! Jura! Muitas modificações merecem com louvor o adjetivo de "portuguesas". Há uma possível influência aí da maligna Sociedade Secreta dos Cursinhos, como vocês verão...

Primeiro, a parte boa. Não existe mais trema. Não que mude muito para mim. A última trema que eu escrevi deve ter sido no vestibular (ou foi exatamente isso que me tirou vários pontos em redação). O K-Y (junto com o W, claro) foi oficializado. Serão usados em expressões estrangeiras e seus derivados. Não sei qual era para ser a silga "oficial" de quilômetro antes, mas agora todos podem escrever "km" de boa.

Mas na parte dos acentos a coisa começa a ficar feia. Teoricamente, não existe mais acento agudo em ditongos abertos. Então "assembléia", "platéia" e "idéia" viram "assembleia", "plateia" e "ideia". Fora o estranhamento inicial, nada de mal. As línguas anglo-saxônicas mostram para a gente como dá para viver bem sem nenhum acento. Mas vocês acham que o português ficaria satisfeito com uma regra simples? Nãããão! Quando as palavras forem oxítonas ou monossílabas (herói, dói), o acento permanece! E a regra só vale para os ditongos "ei" e "oi", o "eu" segue acentuado (chapéu, véu, céu).

E o acento diferencial foi para o espaço também. Então pára (de parar) e pêlo viram para e pelo. Contexto é tudo e não era necessário um acento fora das regras para diferenciá-los mesmo. PORÉM... O verbo "pôr" ainda mantém o acento diferencial para diferenciar da preposição "por". E a mais vital de todas as regras: a terceira pessoa do pretérito perfeito do indicativo de "pôr" continua mantendo o acento: "pôde" (concursistas, abram o olho). As outras não precisam de acento, o ontexto basta. Mas para "pôr", precisa. Vai entender...

Outras regras falam que os hiatos "oo" e "ee" não são mais acentuados (como enjôo, vêem). Aparentemente tais regras não possuem exeções, como manter o acento quando o tempo está encoberto ou serem escritas com til todas as terceiras quartas-feiras de abril (em anos pares).

Agora, se vocês acham que isso é confuso, se preparem para as novas regras de hifenização. Daí começa a putaria generalizada. Não se usa mais hífen em palavras compostas onde a segunda palavra termina com "r" ou "s", deve-se dobrar a letra (contra-regra = contrarregra). Também não se usa quando a primeira termina e a segunda começam com vogal (auto-ajuda = autoajuda).

PORÉM... Quando a primeira palavra termina e a segunda começa com a mesma letra, se usa o hífen. Inter-racial não vira interracial. Anti-inflamatório não vira antiinflamatório. E se a palavra seguinte começa com "h", também não se hifeniza (anti-herói não vira antiherói ou quem sabe antierói - ok, essa última seria bem feia). E o prefixo "co" também não se hifeniza, mesmo quando a segunda palavra começa com "co". Então nada de co-operação ou co-ordenação.

Em seguida há uma lista de mais umas dezenove mil regras e exceções de quando aparece hífen e quando não aparece, as quais eu só vou tentar entender se for realizar um concurso a partir do ano que vem (e então saber por que "o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática e semântica").

Ok, eu sei que uma língua não deve ser algo lógico. É uma construção cultural com influências sociais e históricas. e que neste caso a intenção é padronizar a língua entre os diversos países do mundo que a usam. Mas pelo jeito continuamos com a mesma língua de sempre: para toda regra, uma série de exceções e remendos que não fazem sentido algum (parece até as nossas leis). Continuaremos vivendo na terra sem lei, sendo julgados em vestibulares e concursos públicos não por nossa capacidade de comunicar, mas por nossa capacidade de pagar um cursinho e / ou decorar todas as babaquices da língua. Tomara que o inglês vire logo língua mundial mesmo, pois, embora tenha várias incoerências também (principalmente na pronúncia), não é assim tão... como direi... "português"!

3 comentários:

fabioricardo disse...

cara, a lingua seria uma beleza se não tivesse excessões!!!
inferno de tantas regrinhas gramaticais que ficam se colidindo entre si, uma modificando a outra!
ainda bem que no internetês, nada disso vale.

Thiago Duwe disse...

parece que terminas o texto afimando que o Inglês é uma língua superior...é isso mesmo??

Félix B. Rosumek disse...

não sei se daria para usar "superior" aqui, pois um monte de gente entenderia com a conotação errada (já pensariam em imperialismo, americanos, blábláblá - não é isso que tu pensou, alemão? hehehe!).

acho o inglês mais simples de aprender, pois ele tem mais lógica e menos exceção. é um bom candidato a língua universal. sei que na ciência ele é a língua "oficial" mais por motivos culturais do que por ser a "melhor", mas não reclamo não.

(fora que - e agora é pessoal - acho que ele tem uma sonoridade bonita pra caramba)