terça-feira, 2 de agosto de 2011

Turista sensu lato

Primeiros dias na Europa e parece que já se passou uma eternidade. Quando penso que ainda faltam 28 dias de viagem, tenho a impressão de que farei alguns aniversários até o retorno...

A viagem foi sossegada. Quem já enfrentou muitas viagens longas de busão não tem o menor problema com uma viagem longa de avião. O espaço da poltrona pode ser mais apertado, mas de resto o conforto é infinitamente maior, sem todo o chacoalhar, com serviço de bordo e com uma telinha de televisão individual.

Mas não, não consegui dormir nada, como o usual. Nem sei como pensei que conseguiria. Mas, ei, pelo menos deu para assistir Rei Leão e Forrest Gump!

Frankfurt

Chegando no aeroporto de Frankfurt 13:30 (hora de lá, 8:30 no Brasil - são cinco de diferença), mais perdido que filho da puta em dia dos pais, comecei a fazer algo que foi comum neste início: andar de um lado para o outro tentando descobrir o que fazer em seguida. Pelo menos o tiozinho da imigração mal olhou para a minha cara. Muito bom, já que eu estava importando ilegalmente alguns quilos de alimentos brasileiros para uma amiga.

Até que foi rápido descobrir como comprar o ticket do trem e como pegá-lo, bastou uma meia dúzia de "Do you speak English?". Chegando na estação principal e portanto um mapa tosco feito à mão. é óbvio que dei algumas voltas para chegar ao meu hotel que, no fim, ficava a uns 300 m da estação.

Então, o resto do primeiro dia em Frankfurt foi bem emocionante: pedi uma pizza no hotel e morri na cama. Tudo dentro do planejado.

Até que foi bom, pois daí pude acordar 13 horas depois, às 8:00, e entrar facilmente no fuso horário deles. Daí pude sair cedo no único dia que teria para conhecer a cidade. Sem celular e impressora, usei a câmera fotográfica para tirar fotos do Google Maps e saber onde me enfiar. Saí andando mesmo, porque tudo o que eu queria ver parecia perto.

Passando pelo centro histórico, que inclui um sítio arqueológico no meio da cidade (tá, só uns restos de paredes, mas eram paredes de 1500 anos de idade!), pelas pontes que atravessam o rio principal da cidade e por um mercado de rua, pude enfim ter minha primeira refeição genuinamente alemã. Claro, composta por lnguiças e chucrão ute. Uma dica aos turistas: se você achar que sabe pelo menos uma palavra em alemão e tentar pedir um "chopp" para o garçom, ele irá lhe olhar como um extraterrestre. Pois é, não se usa essa palavra na terra-mãe. Só peça uma cerveja e deu, ela certamente virá do barril.

Depois do almoço, mas algumas voltas e fui parar no Zoológico da cidade. Parecia pequeno no mapa e não era para ser nada do outro mundo, mas pensei que seria um bom aperitivo para o de Berlim. O caramba. Mesmo esse Zoo pequeno caga na cabeça de quase todos que já vi no Brasil, com uma diversidade enorme de bichos, aquário, insetário, reptário aquecido (sim, deu para ver répteis se mexendo!), setor escurecido para animais noturnos... Legal demais! Terminei a tarde ali e só saí com as sirenes do Zoo mandando todo mundo se mandar. Voltei caminhando e ainda parei para comprar um casaco (o "verão" deles é como nosso outono...) em uma pequena e desconhecida rede de lojas chamada "cunda". Outra dica: roupas NÃO SÃO mais baratas lá. De modo geral, até mais caras. Por outro lado, paguei 50 Euros em um saco de dormir que custaria mais de 200 reais aqui no Brasil.

Heidelberg

No dia seguinte, saí para conhecer Heidelberg, uma cidade turisticamente famosa relativamente perto de Frankfurt. Daí que dei minha primeira turistada feia. Acontece que comprei os tickets no dia anterior, desnecessariamente (não acredite na histeria do "é temporada, cuidado!", dá para conseguir ticket de trem na hora fácil). Eram 10:11. Faltando 7 minutos para sair o trem, descobri que o que tinha comigo era apenas os tickets de reserva de assento. O do trem mesmo, o mais necessário, eu nem sabia que existia, e nem sabia se tinha pego da máquina automática no dia anterior. Com omeu hotel era ali do lado, pensei comigo mesmo: "dá tempo!". E saí correndo feito um maluco. Cheguei no meu quarto já morto e, depois de revirar as coisas, encontrei o maldito. E lá fui correndo de novo. Consegui chegar 10:20. No Brasil, teria dado muito certo. Na Alemanha, não. O trem já estava longe. Puto da cara comigo mesmo, só pude ir para a máquina automática e comprar um novo ticket de ida para o trem de uma hora depois. Ainda consegui a proeza de sentar na classe errada, mas por sorte percebi antes de passar a tia que cobra a passagem. Paciência. Foi como se eu tivesse chegado na hora planejada, tido uma dor de barriga de uma hora e limpado a bunda com 20 Euros. E o mais irônico foi que, durante a troca de trens na metade da viagem, o outro atrasou... 2 minutos!

Tendo perdido este tempo, cheguei e Heidelberg e a primeira coisa que fiz foi atravessar a cidade para ir no famoso castelo em ruínas. Eu pensava que seria o tipo de lugar onde eu poderia gastar muito tempo, por isso era bom começar por ele. Não deu outra. O castelo é MUITO FODA! Abandonado desde o fim do século XVII, possui algumas partes em ruínas, outras ainda inteiras, e dá para andar por quase tudo, inclusive com um tour guiado pelos aposentos interiores. Sei que ainda estou no começo, mas tenho certeza que aquele lugar será um dos pontos altos da viagem.

Depois, já mais tarde, voltei andando pelas ruas da parte histórica da cidade, consegui pegar o tem de volta na hora e, sem a menor vontade, tive que gastar a noite e madrugada terminando um trabalho para enviar para um congresso. Paciência, quem mandou ficar assistindo as aventuras do Simba no avião?..

Göttingen

No outro dia não fiz mais nada além de acordar tarde e pegar o trem. Uma viagem mais demorada pelo interior da Alemanhã, com paisagens idílicas de... plantação, plantação, cultivo de pinheiro, cultivo de pinheiro. Nada muito diferente do interior de Santa Catarina...

Chegando Em Göttingen, encontrei com a amiga que ia me hospedar por alguns dias (a mesma das comidas ilegais). Conversar, dormir muito, no outro dia andar pela cidade (que, mesmo pequena e universitária, tem suas coisas legais de ver), cerveja com um pessoal e de volta, agora digitando isso aqui. E por isso mesmo está na hora de terminar, pois daqui a pouco vou dar um bate e volta em outra dessas cidadezinhas velhas próxima.

No próximo post, que talvez seja apenas na segunda feira, depois do Wacken, algumas considerações sobre as diferenças (e semelhanças) culturais. Té mais!

6 comentários:

Rodrigo Oliveira disse...

salve, salve.
mais emocionante que as aventuras de simba (q eu nem vi), com mais histórias que o Forrest no banco, é Félix na Zoropa. Abraço, rapá. To acompanhando por aqui post a post.

Fábio Ricardo disse...

E aí, já comprou meu mangual?
Uma dúvida: como tá sendo se virar por aí com um inglês abrasileirado?

Sara disse...

Oi, filho!
Adorei ler tuas aventuras e rir com as óbvias desventuras!
Com certeza aquele castelo de Heidelberg será uma das melhores lembranças que terás da viagem.
beijo
continue curtindo e mandando texto que a gente viaja contigo!

Ademar disse...

Olá, filhotão...

Você comprou passagem trem ponto a ponto em primeira classe? Se assim foi Você não teria necessidade de comprar outra passagem e poderia embarcar no trem em outro horário. Apenas Você perderia o direito da reserva naquele assento e horário de trem. Peça numa estação o folheto com as linhas e horários de trens. É gratuito.

Fabricio disse...

Show de bola cara!!! Fiquei até sem fôlego imaginando você correndo pra estação de trem....rsssss
vlw!

Félix B. Rosumek disse...

Pai, estou viajando tudo de segunda classe mesmo e comprando passagem antecipada, que tem preco promocional. De modo geral sai bem mais em conta, mas acontecem algumas coisas como essas...